KARDEC E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA DE MICRORGANISMOS E ANIMÁLCULOS – PARTE 1

46 – Ainda há seres que nasçam espontaneamente?

— Sim, mas o gérmen primitivo já existia em estado latente. Sois todos os dias testemunhas desse fenômeno. Os tecidos do corpo humano e o dos animais não contêm os germens de uma multidão de vermes que só esperam, para desabrochar, a fermentação pútrida necessária à sua existência? É um pequeno mundo que dormita e se cria.

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec, FEB Editora, tradução de Evandro Noleto Bezerra, 4a. edição, 2006

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A questão 46 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS defende a superada teoria da geração espontânea? Para responder essa dúvida, é indispensável fazer uma análise detalhada do texto. A começar pela pergunta de Kardec…

Quando o pensador francês questiona se ainda há seres que nasçam espontaneamente, ele, implicitamente, está afirmando que já houve um tempo em que isso acontecia. Com isso, podemos considerar que Kardec estava se referindo ao surgimento dos primeiros seres vivos do planeta e aos animálculos e microorganismos conhecidos.

Nesta série de artigos, vou analisar apenas a possibilidade da geração espontânea de animálculos e microorganismos, deixando a questão do aparecimento dos primeiros seres vivos para outra oportunidade. 

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Kardec estava equivocado ao acreditar na geração espontânea como hipótese científica? Hoje, estaria. Naquela época, não.

Em 1857, a teoria da abiogênese ainda era uma hipótese plausível. Sendo assim, Kardec está absolvido.

E o espírito que respondeu a pergunta?

O espírito entrevistado afirma que sim, mas desde que haja um gérmen em estado latente. Ora, se existe um gérmen em estado latente, já não há nascimento espontâneo. Com isso, podemos concluir que o referido desencarnado apenas não respeitou o protocolo semântico dos encarnados.

Em seguida, ele diz que o aparecimento de “vermes” durante a putrefação de tecidos orgânicos é um exemplo da eclosão de gérmens latentes. Aí, o problema linguístico é menor.

O espírito não está equivocado, desde que ele tenha desejado afirmar que os animálculos vermiformes que aparecem em cadáveres ou em pedaços de carne são larvas de insetos — majoritariamente, moscas e besouros — que colocam seus ovos nesses materiais orgânicos ou perto deles, sem que haja impedimento.

Com certeza, a pergunta de Kardec poderia ter tido uma resposta mais completa e clara. Entretanto, o fato não coloca o principal livro do pensador francês em situação ruim, pois ele sempre disse os espíritos não são deuses infalíveis. 

3 comentários em “KARDEC E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA DE MICRORGANISMOS E ANIMÁLCULOS – PARTE 1

  1. Fica aqui uma dúvida. Ou o Espírito que respondeu não conhecia as teorias vindouras que explicariam melhor este ponto ou ele respondeu utilizando-se dos elementos disponíveis para o entendimento da época.
    Suponho que a Codificação, dada a relevância de seu papel para a formação de um novo paradigma filosófico, tenha recebido a supervisão de Espíritos Superiores, e este ponto não tenha sido considerado relevante, tendo em vista o que você bem destacou no item 55 de “A Gênese”.

  2. Eu acho que o trabalho de Kardec teve a supervisão de espíritos muito superiores. Na minha avaliação, São Luís de França era apenas o estatefa dessas entidades. Na minha avaliação, porém, não existe “cascateamento” revelatório infalível.

  3. Aliás, Luís IX estava muito longe de ser um homem santo. Sua canonização como São Luís de França foi política. Ele deve ter pago muito carma negativo para ter tido a honra de ajudar Kardec.

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