KARDEC E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA DE MICRORGANISMOS E ANIMÁLCULOS – PARTE 1

Na Questão 46 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Kardec fez a seguinte pergunta a um espírito:

— Ainda há seres que nasçam espontaneamente?

Segue a reposta do espírito:

— Sim, mas o gérmen primitivo já existia em estado latente. Sois todos os dias testemunhas desse fenômeno. Os tecidos do corpo humano e o dos animais não contêm os germens de uma multidão de vermes que só esperam, para desabrochar, a fermentação pútrida necessária à sua existência? É um pequeno mundo que dormita e se cria.

A pergunta revela que Kardec acreditava na teoria da geração espontânea. O pensador francês estava equivocado ao acreditar na geração espontânea como hipótese científica? Hoje, estaria. Naquela época, não.  Em 1857, a teoria da geração espontânea ainda era uma hipótese plausível.

O espírito entrevistado afirma que existe nascimento espontâneo, mas desde que haja um gérmen em estado latente. Ora, se existe um gérmen em estado latente, já não há geração espontânea. Sendo assim, acho que o espírito se confundiu com as palavras.

Em seguida, o espírito diz que o aparecimento de “vermes” durante a putrefação de tecidos orgânicos é um exemplo da eclosão de gérmens latentes. O espírito não está equivocado, desde que ele tenha desejado afirmar que os animálculos vermiformes que aparecem em cadáveres ou em pedaços de carne são larvas de insetos — majoritariamente, moscas e besouros — que colocam seus ovos nesses materiais orgânicos ou perto deles, sem que haja impedimento.

A pergunta de Kardec poderia ter tido uma resposta menos confusa. Entretanto, os espíritos não são deuses infalíveis do conhecimento, como sempre disse Kardec.

BIBLIOGRAFIA

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec, FEB, tradução de Evandro Noleto Bezerra, 4a. edição, 2006.

 

3 comentários em “KARDEC E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA DE MICRORGANISMOS E ANIMÁLCULOS – PARTE 1

  1. Fica aqui uma dúvida. Ou o Espírito que respondeu não conhecia as teorias vindouras que explicariam melhor este ponto ou ele respondeu utilizando-se dos elementos disponíveis para o entendimento da época.
    Suponho que a Codificação, dada a relevância de seu papel para a formação de um novo paradigma filosófico, tenha recebido a supervisão de Espíritos Superiores, e este ponto não tenha sido considerado relevante, tendo em vista o que você bem destacou no item 55 de “A Gênese”.

  2. Eu acho que o trabalho de Kardec teve a supervisão de espíritos muito superiores. Na minha avaliação, São Luís de França era apenas o estatefa dessas entidades. Na minha avaliação, porém, não existe “cascateamento” revelatório infalível.

  3. Aliás, Luís IX estava muito longe de ser um homem santo. Sua canonização como São Luís de França foi política. Ele deve ter pago muito carma negativo para ter tido a honra de ajudar Kardec.

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