KARDEC E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA DE MICRORGANISMOS E ANIMÁLCULOS – PARTE 2

A crença na geração espontânea vem de tempos remotos. Na Antiguidade, um dos maiores defensores da idéia foi Aristóteles. Na Idade Média, vários cientistas defenderam a proposta.

Em 1665, Francesco Redi realizou a primeira experiência que colocou a idéia em cheque. Redi colocou pedaços de carne em frascos abertos e em frascos cobertos por gase. Nos frascos abertos, onde as moscas entravam com facilidade, apareceram vários “vermes” na carne. Nos frascos cobertos, onde as moscas não conseguiam entrar, só apareceram “vermes” na gase. Com isso, Redi concluiu que os “vermes” não nasciam espontaneamente na carne. Os repugnantes bichinhos eram provenientes da eclosão dos ovos de moscas.

Em 1678, Antonie van Leeuwenhoek aperfeiçoou uma lupa simples e descobriu os microorganismos ou micróbios. Alguns cientistas acreditavam que os microorganismos estavam no ar e se desenvolviam quando encontravam condições favoráveis. Os defensores da geração espontânea afirmavam que os micróbios nasciam da própria matéria.

Em 1711, Louis Joblot constatou que infusões frias continham uma grande quantidade de microorganismos. O cientista francês aqueceu uma infusão fria, colocou-a num recipiente fechado e ele ficou descontaminado. Quando Joblot abriu a tampa, os micróbios voltaram a surgir.

Em 1749, John Needham demonstrou que aparecem microorganismos mesmo em infusões fervidas e fechadas.

Em 1770, Lazzaro Spallanzani afirmou que o aquecimento e a vedação de Needham não tinham sido suficientes para matar todos os micróbios e evitar a entrada de outros. Spallanzani repetiu a experiência com melhor vedação e maior aquecimento e não encontrou microorganismos quando abriu os frascos. Os defensores da geração espontânea disseram que o aquecimento exagerado havia eliminado o oxigênio necessário ao surgimento da vida.

Em 1836, Theodor Schwann, ferveu as infusões, infiltrou ar aquecido nos frascos e constatou que as mesmas continuavam descontaminadas. Os defensores da geração espontânea disseram que o aquecimento do ar havia aniquilado o princípio vital.

Em 1837, Franz Schultze, encontrou um meio de substituir a calcinação do ar: passar a corrente de ar sobre ácido sulfúrico para lhe tirar a fertilidade. Os defensores da geração espontânea afirmaram que o ácido sulfúrico também matava o princípio vital.

Em 1854, esse argumento foi anulado por Heinrich Schroeder e Theodor von Dush, que conseguiram evitar o crescimento microbiano filtrando o ar em chumaços de algodão. Apesar dessa filtragem impedir o crescimento de microorganismos em infusões de carne, experiências com leite não deram o mesmo resultado. Hoje sabemos que o leite é mais difícil de ser esterilizado, mas Schroeder e Dush concluíram que o leite podia gerar micróbios espontaneamente.

Em 1859, Félix Pouchet defendeu a geração espontânea num livro intitulado Heterogenia.

Em 1862, Louis Pasteur fez sua famosa experiência sobre geração espontânea. O químico francês colocou uma infusão num frasco que tinha o gargalo em forma de pescoço de cisne e ferveu o líquido, matando os microorganismos existentes. Quando a infusão esfriou, Pasteur deixou o ar entrou no frasco sob a resistência das gotículas de vapor da ebulição, fazendo com que os micróbios ficassem retidos nas curvas úmidas do gargalo. Depois de vários dias de esterilidade, Pasteur quebrou o gargalo do frasco era e a infusão ficou contaminada.

O experimento de Pasteur contestava as críticas feitas às experiências de Spallanzani, Schwann e Schultze:

a) apesar de fervido, o líquido continuava com a capacidade de servir de base à vida;

b) o frasco não barrava ou calcinava a entrada do ar.

Entretanto, Pouchet e outros cientistas rejeitaram os resultados de Pasteur. Em 1872, Henry Bastian, utilizando infusão de feno, repetiu a experiência de Pasteur e o líquido ficou contaminado antes que o gargalo fosse quebrado.

Em 1876, John Tyndall, admirador de Pasteur, descobriu que as bactérias do feno viravam endósporos termo-resistentes quando submetidas ao calor e voltavam à condição de bactérias quando a temperatura baixava. Com a publicação dos trabalhos de Tyndall, houve um consenso de que a geração espontânea não era possível.  

Como se vê, a polêmica sobre a geração espontânea estava longe de uma solução definitiva quando Kardec publicou suas obras. Portanto, Kardec não estava cometendo um equívoco científico ao admitir essa hipótese.

4 comentários em “KARDEC E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA DE MICRORGANISMOS E ANIMÁLCULOS – PARTE 2

  1. Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz” nos traz as informações que completam esta lacuna, agora que os elementos científicos já se encontram mais desenvolvidos e mais preparados para a continuação da Revelação (L.E. perg. 20):
    “E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento.
    Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso. Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra.
    Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada. Com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens.”

  2. Sempre achei esse relato de Emmanuel meio criacionista. Eu prefiro ficar com Oparin e Haldane. Ou seja: os átomos de carbono já estavam na superfície do planeta e descargas elétricas os uniram. Evidentemente, essas descargas elétricas devem ter sido induzidas por espíritos superiores.

  3. Eu sei o que é protoplasma. Coloquei uma interrogação porque entre os coacervados de Oparin e o protoplasma de Emmanuel existe uma distância brutal. Na hipótese de Oparin, os coacervados vão evoluindo bem devargazinho. No relato de Emmanuel, o protoplasma cai prontinho do Céu, como o maná do Velho Testamento. É uma explicação muito criacionista. Aliás, o livro A CAMINHO DA LUZ é bastante estranho.

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