KARDEC E A GERAÇÃO ESPONTÂNEA DE MICRORGANISMOS E ANIMÁLCULOS – PARTE 3

No Capítulo 10 de A GÊNESE, Kardec emite sua opinião pessoal sobre a teoria da geração espontânea.

Como já vimos, na primeira parte desta série, a questão da geração espontânea ainda não estava resolvida no tempo do pensador francês, como ele próprio informa:

“O problema proposto é o seguinte: em nossos dias formam-se espontâneamente seres orgânicos, unicamente pela união dos elementos constitutivos, sem o concurso de germes preliminares que fossem produtos da geração normal? Em outras palavras, sem pai nem mãe?

Os partidários da geração espontânea respondem afirmativamente, e se apoiam sobre observações diretas, as quais parecem ser conclusivas. Outros pensam que todos os seres vivos se reproduzem uns dos outros e se apoiam sobre este fato, constatado pela experiência, de que os germes de certas espécies vegetais e animais, estando dispersos, podem conservar uma vitalidade latente durante um tempo considerável, até que as circunstâncias sejam favoráveis à sua eclosão.”

Kardec demonstra simpatia pela tese da geração espontânea, afirmando que ela poderia elucidar o aparecimento dos microrganismos e animálculos existentes na atualidade e o surgimento dos primeiros seres vivos do planeta.

Aqui, existe um problema linguístico. Como, na época, não existia uma teoria para explicar o aparecimento dos primeiros seres vivos, nem, tampouco, um nome para essa teoria, Kardec usa a expressão geração espontânea para se referir a duas coisas distintas. A saber: o surgimento dos primeiros seres vivos do planeta e a geração aparentemente espontânea de microrganismos e animálculos.  Hoje, existem as expressões hipótese heterotrófica ou teoria da evolução química ou teoria da evolução molecular para denominar as teses sobre o surgimento dos primeiros seres vivos a partir de matéria inorgânica.

A análise do surgimento da vida no planeta, sob a luz do Espiritismo, ficará para outra oportunidade. Nesta série, vamos analisar apenas o que Kardec disse  sobre o surgimento aparentemente espontâneo de microrganismos e animálculos.

No  final do Capítulo 10 de A GÊNESE, Kardec volta a dizer que a teoria da geração espontânea é apenas um hipótese que pode ser confirmada ou não. Com isso, o pensador francês ficou livre de ser acusado de ter defendido, de maneira definitiva, uma tese que se mostraria equivocada no futuro.

BIBLIOGRAFIA:

A GÊNESE, Allan Kardec, tradução de Victor Tollendal Pacheco, 24a. edição, LAKE.

 

 

 

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