BREVE HISTÓRIA DO PACTO ÁUREO – PARTE 4

Em 1943,  sem convocar outra reunião do Conselho Federativo da FEB, Guillon Ribeiro passou a presidência da casa para Wantuil de Freitas.

Entretanto, nesses dez anos, várias federações estaduais cresceram e se fortaleceram.

Em 1944, a União Espírita Mineira promoveu seu primeiro congresso espírita estadual.

Em 1945, a Federação Espírita do Rio Grande do Sul realizou evento semelhante.

Em 1947, a Sinagoga Espírita Nova Jerusalém, a União Federativa Espírita Paulista, a Federação Espírita do Estado de São Paulo e a Liga Espírita do Estado de São Paulo fizeram um congresso estadual e decidiram fundar uma nova entidade para cuidar do trabalho federativo, denominada USE – União Social Espírita (hoje, a USE se chama União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo).

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A união vinha acontecendo nos estados, mas continuava deficiente no âmbito nacional.

A FEB reivindicava o papel de entidade organizadora do movimento espírita brasileiro, mas pouco fazia para unir as federações estaduais.

Por sua vez, a Liga Espírita do Brasil nunca conseguiu ter expressão em todo o país.

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Por causa dessa situação, Edgard Armond, secretário-geral da FEESP e presidente da USE, propôs, através do jornal “O SEMEADOR”, a realização de um congresso espírita nacional para discutir a organização do movimento espírita brasileiro.

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Antevendo uma possibilidade de atrito entre os paulistas e a turma da Avenida Passos, Roberto Michelena, presidente da FERGS – Federação Espírita do Rio Grande do Sul, escreveu para Armond, pedindo que a USE oferecesse o patrocínio do evento à chamada Casa de Ismael (1).

Edgard Armond, através da FEESP, enviou uma carta a FEB, datada de 11/09/1947, informando que os espíritas de São Paulo pretendiam realizar um congresso nacional, mas estavam oferecendo o patrocínio do certame a FEB.

A missiva ficou mais de dois meses sem resposta.

Em 04/12/1947, Michelena escreveu uma carta para a FEB, rogando que ela respondesse à correspondência de Armond.

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Com isso, finalmente, a FEB respondeu a missiva do dirigente da FEESP e da USE em 28/12/1947, informando que não patrocinaria o evento.

Diz a carta em certo trecho: “… na hora, assoberbam-nos dificuldades e copioso trabalho, empenhados que estamos na conclusão de obras vultosas, que nos consumirão cerca de três milhões e quinhentos mil cruzeiros, ampliando o nosso Departamento Editorial (…). Ficaremos, assim, à margem do caminho, sem razões imperiosas que nos levem à precipitação do vosso (…) empreendimento, porque o julgamos, para nós, deveras inoportuno”.

É lógico e evidente que FEB não iria apoiar ou participar de um congresso que estava colocando sua autoproclamada liderança sobre o movimento espírita brasileiro na berlinda. No entanto, usou a ampliação do seu parque gráfico como justificativa para a recusa.

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Com a negativa da FEB, a FEESP entregou a coordenação do congresso a USE. Havendo concordância quanto à realização do evento em São Paulo, foi enviado aos estados o Plano do Congresso com os objetivos do encontro.

O documento dizia resumidamente o seguinte:

“A necessidade (…) de um organismo representativo (…) é (…) ponto pacífico (…). Existem duas entidades na Capital Federal que podem tomar posição nesse terreno, mas cuja atuação tem sido deficiente e improdutiva (…). O problema está (…) em se reconhecer algumas dessas entidades ou criar um organismo novo (…). A essa entidade (…) todas as entidades estaduais deverão dar (….) apoio moral e material, nela se filiando imediatamente (…)”.

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Relevando ressentimento, a FEB desligou a USE e as federações do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo do seu quadro de entidades associadas. Com isso, algumas federativas, que, a princípio concordaram com a realização do congresso, desistiram de participar. 

Apesar de tudo, a USE continuou a trabalhar. O encontro foi marcado para os primeiros dias de novembro de 1948 e chamado de 1º. Congresso Espírita Centro-Sulino, por não contar com a participação de todos os estados do país. Entretanto, ficou combinado que o plenário do congresso poderia mudar a denominação do evento.

Antes da realização do certame, Francisco Spinelli, sucessor de Michelena na presidência da FERGS, foi ao Rio de Janeiro pedir que a FEB enviasse, ao menos, um observador ao Congresso, a fim de avaliar a seriedade da reunião. A tentativa foi inútil.

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Pouco antes daquele que seria o 1º. Congresso Centro-Sulino, realizou-se no Rio de Janeiro, no período de 18 a 25 de julho de 1948, outra importante atividade congraçadora, o 1º. Congresso de Mocidades do Brasil, organizado por Leopoldo Machado.

Como Armond, Leopoldo Machado perguntou à direção da FEB se ela desejava patrocinar a primeira reunião dos jovens espíritas brasileiros. Mais uma vez, a FEB recusou-se a participar.

Com a negativa da FEB, a Liga Espírita do Brasil assumiu o patrocínio do encontro. O congresso de juventudes foi um grande sucesso com a presença de cerca de 500 jovens de todo o Brasil e a fundação do Conselho Consultivo das Mocidades Espíritas do Brasil.

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BIBLIOGRAFIA:

DA UNIFICAÇÃO DOS ESPÍRITAS NO BRASIL, livro inédito de Noraldino de Mello Castro, fotocópia da datilografia original. 

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