BREVE HISTÓRIA DO PACTO ÁUREO – PARTE 6

Antes do segundo congresso brasileiro de unificação, a CEPA – Confederação Espírita Panamericana, realizou o seu 2º. Congresso Espírita Panamericano, na Cidade do Rio de Janeiro, no período de 03/10/1949 a 12/10/1949.

No dia 02/10/1949, Noraldino de Mello Castro, Pedro Michelena, Francisco Spinelli, Felisberto Peixoto, Marcírio de Oliveira, Osvaldo de Melo, Carlos Jordão da Silva, João Ghignone, Abibe Isfer e Francisco Raitani já se encontravam no Rio.

À noite, esses confrades se reuniram e decidiram fazer novo pedido a FEB para que hospedasse o Conselho Federativo Nacional.

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No dia seguinte, Lins de Vasconcelos foi contatado, uniu-se ao time e telefonou para Wantuil de Freitas, presidente da FEB, pedindo que ele recebesse o grupo.

A reunião foi marcada para 05/10/1949 às 15h da tarde.

Conforme decisão da confraria, Michelena ficou responsável pela redação de uma proposta de acordo.

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No dia combinado, o coletivo dirigiu-se à sede da FEB na Avenida Passos.

Lá, por coincidência, encontraram Leopoldo Machado na livraria e o convidaram a participar da reunião.

Leopoldo registrou o fato:

“Os abraços (..) se sucediam antes da magna sessão, que se realizou lá em cima, no segundo andar. Presidiu-a o presidente da Federação. Ficáramos à parte (…), pois teríamos de sair antes de terminar o ágape excepcional. Mas as circunstâncias nos arrastaram, mau grado nosso, ao lado do presidente, entre ele e o Lins de Vasconcelos, de frente do Vinícius. Casualidade ou determinismo? Determinismo, talvez, para apreendermos um pouco de tolerância e mansidão com o Lins de Vasconcelos e arrancarmos, de uma vez e mais depressa, as farpas que andamos, por força de pontos de vista contrariados, espetando na sensibilidade do Vinícius e do Wantuil (…). Fomos, assim, um convidado dos espíritos para a reunião do Pacto Áureo. Convite que os homens, aliás, endossaram, arrastando-nos à mesa, cercando-nos de considerações, alegrando-se com a nossa presença” (1).

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Na reunião, Wantuil apresentou as condições da FEB para aceitar um acordo e essas condições foram aceitas sem debate e de maneira incondicionável.

Com isso, a minuta de Spinelli nem foi lida.

Conforme as condições de Wantuil, o CFN seria um departamento da FEB, dirigido pelo presidente da FEB.

Além disso, as federativas estaduais deveriam fornecer uma lista tríplice para que a Federação escolhesse o representante de cada estado no conselho.

Leopoldo Machado comentou o fato:

“Vimos (…) que a existência da lista tríplice, conferindo ao presidente da FEB autoridade discricionária (…) seria motivo de desentendimentos (…). (….) uma organização à parte, em que a FEB entrasse como outra qualquer instituição (…), embora gozando (…) de maiores distinções (…), por seu passado (…), daria muito mais certo. E teríamos dito isso, se fosse o caso de discutir o plano. Aceitamo-lo, contudo, e disso não nos arrependemos. Era 10% que se obtinha, depois de tantas lutas e percalços. Quem já obteve 10%, conquistou, naturalmente, alguma coisa mais do que zero” (2).

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Segundo o acordo, a Liga Espírita do Brasil deveria deixar de ser uma entidade de âmbito nacional, transformando-se numa federativa regional.

Como Aurino Souto, presidente da Liga, não estava presente na reunião, Lins de Vasconcelos, vice-presidente da Liga, assinou o documento em seu lugar.

Além de Lins, assinaram a ata da reunião: Wantuil de Freitas pela FEB, Pedro “Vinícius” de Camargo e Carlos Jordão da Silva pela USE; Noraldino de Melo Castro e Bady Cury pela União Espírita Mineira; Osvaldo Melo pela Federação Espírita Catarinense; João Ghignone e Francisco Raitani pela Federação Espírita do Paraná; Francisco Spinelli, Pedro Michelena, Felisberto Peixoto, Marcírio Cardoso e Jardelino Ramos pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul.

Após a assinatura do documento, o espírito Guillon Ribeiro teria se manifestado através da mediunidade de Osvaldo Melo, informando que os espíritos superiores estavam contentes com a assinatura do acordo.

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NOTAS:

(1) A CARAVANA DA FRATERNIDADE, Leopoldo Machado, Editora do Lar de Jesus, 1954, p. 302.

(2) Idem, p. 304.

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