A CRISE FEBIANA DE 1974/1975

Em 1974, a FEB – Federação Espírita Brasileira defendeu o fim dos departamentos de juventude ou mocidade, existentes nos centros espíritas, dando execução à plataforma defendida na série de artigos intitulada O ATALHO – ANÁLISE CRÍTICA DO MOVIMENTO ESPÍRITA de Luciano dos Anjos, publicada no REFORMADOR em 1973 (1). A FEB entendia que as juventudes ou mocidades dificultavam a integração dos moços nas atividades dos centros.

Entretanto, algumas federações estaduais não gostaram da ideia. Numa reunião ordinária do CFN – Conselho Federativo Nacional, realizada em 04/05/1974, o presidente da USE – União das Sociedades Espíritas de São Paulo, Luiz Monteiro de Barros, discordou do novo programa da FEB (2).

Numa reunião ocorrida em 01/11/1974, o conselho da 4ª. Zona do CFN, que incluía os estados da Guanabara (atual Cidade do Rio de Janeiro), Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, defendeu a manutenção das juventudes e concluiu o seguinte (3):

a) manter as juventudes existentes;

b) incentivar a criação de novas juventudes;

c) apoiar as confraternizações de jovens;

d) aprimorar os programas de estudo das juventudes;

e) estimular a intregração dos jovens nos centros e nos órgãos federativos.

A  decisão da 4ª. Zona gerou uma divisão na direção da FEB, com alguns dirigentes defendendo a continuidade da plataforma de O ATALHO e outros defendendo mudanças no programa. O CFN também se dividiu quanto à questão das juventudes (4). Por conta disso, Armando convocou uma reunião da diretoria febiana para discutir o assunto.

Na reunião, ocorrida em 25/01/1975, Francisco Thiesen, assumindo a liderança do grupo oposicionista, fez críticas às ideias defendidas em O ATALHO. Após a exposição de Thiesen, Luciano fez sua defesa e pediu exoneração do cargo de assessor de Armando. Vejamos o que Luciano diz a respeito do fato:

“O mínimo que aconteceu foi uma reação cega às minhas idéias, as quais, tendo o respaldo público do presidente da FEB, por isso mesmo atraiu para ele também as iras dos sonhadores do poder e do mando atrabiliário O que houve, então, o próprio Armando de Oliveira Assis classificou, muito apropriadadmente, de uma quartelada. E nela não faltou sequer a participação de bisonho general de pijama, exibindo essa qualidade com estardalhaço e irritação, à saída de uma das reuniões do Grupo Ismael. Na disputa impudente aquele poder e por aquele mando, preferi o retraimento mais honroso e mais cristão.” (5).

De que lado terá ficado  o espírito Ismael?

Não existe registro oficial da reunião de 25/01/1975. Sei da existência dela através de uma entrevista (em fita K7) que Luciano me concedeu em 1988. Consultado por mim, Thiesen não quis se pronunciar sobre o assunto.

Em abril de 1975, na reunião do CFN, Armando foi mais ameno e disse que a FEB só combatia os departamentos de juventudes muito autônomos e sem integração com os centros (6). A explicação de Armando pacificou o CFN, que acabou aprovando as seguintes conclusões:

a) manter as juventudes existentes;

b) continuar incentivando a criação de novas juventudes, sob a forma de departamentos, coordenadorias ou congêneres, sem denominação e diretorias próprias (7).

Em agosto, Armando não se candidatou à reeleição e Thiesen foi eleito para presidente da FEB.

NOTAS:

(1) REFORMADOR, janeiro, março, maio, novembro e dezembro de 1973 (disponíveis no site da FEB). Em 1994, Luciano transformou O ATALHO em livro, publicado pela Editora Lachâtre.

(2) REFORMADOR, julho de 1974 (disponível no site da FEB).

(3) REFORMADOR, março de 1975 (disponível no site da FEB).

(4) Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo eram favoráveis à manutenção das juventudes. Alagoas era favorável a uma extinção gradativa. Distrito Federal, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe eram favoráveis à extinção imediata. Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão e Pará tinham posição indefinida.

(5) OBREIROS DO BEM, outubro/novembro de 1979.

(6) REFORMADOR, março de 1975 (disponível no site da FEB).

(7) REFORMADOR, junho de 1975 (disponível no site da FEB).

(8) REFORMADOR, junho de 1975 (disponível no site da FEB).

 

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