O SEGUNDO MANDATO DE BEZERRA

Em 1894, Angeli Torteroli fundou outra entidade aglutinadora, paralela a FEB e majoritariamente “científica”, o Centro da União Espírita de Propaganda no Brasil. Os febianos Augusto Elias, Ernesto Silva e Bezerra de Menezes são convidados para diretores da nova instituição e, supreendentemente, aceitam o encargo. Após a posse da diretoria, o Centro da União convoca e instala o Congresso Espírita Permanente.

 No final de 1894, Dias da Cruz, decidiu deixar o comando da FEB após quatro anos no posto. Júlio César Leal foi eleito presidente e Cruz passou  para a vice-presidência. No entanto, Leal não atendeu às expectativas dos febianos “místicos” e roustainguistas, cujo fulcro era a reunião mediúnica chamada de Grupo Ismael. Sob a oposição desse grupo, Leal renunciou após sete meses no cargo.

Como Dias da Cruz não quis voltar à presidência da FEB, o lugar ficou vago e os  “místicos” convidaram Bezerra para assumir o comando da casa pela segunda vez. O médico cearense aceitou o convite e foi eleito em 03/08/1895. Nessa assembléia, o estatuto da instituição foi modificado para conceder amplo poder ao novo presidente e fazer com que o estudo de OS QUATRO EVANGELHOS de J.B. Roustaing se tornasse obrigatório na instituição.

Depois de cinco anos frequentado o Grupo Ismael, Bezerra voltou  à presidência da FEB decidido a combater o “cientificismo”, divulgar mais Roustaing e lutar pela supremacia da Casa de Ismael.

Em 15/11/1895, Bezera publica o artigo RES NON VERBA, criticando a montagem da peça O CRIME DO PADRE AMARO de Eça de Queiroz pelo Centro da União. Era o primeiro de vários artigos contra os procedimentos dos “científicos” (1). No entanto, surpreendentemente, o presidente febiano não pediu desligamento da diretoria do Centro.

Dias da Cruz fica na vice-presidência da FEB até o final de 1895 e, depois, afasta-se da instituição. Talvez por discordar da plataforma de Bezerra.

Em 01/01/1896, Bezerra começa a publicar a série OS TEMPOS SÃO CHEGADOS.

Em 15/03/1896, Bezerra publica o artigo FALSOS PROFETAS.

O Centro da União publica um comunicado afirmando que suas posições doutrinárias não são infalíveis e pede que os centros espíritas  se manifestem sobre a questão da conceituação do Espiritismo. Esses comunicados do Centro eram publicados no REFORMADOR por condescendência, segundo Bezerra.

Em 01/07/1896, Bezerra publica o artigo ESPIRITISMO – CIÊNCIA OU RELIGIÃO?

O Centro da União comunica a exoneração de Bezerra da diretoria da entidade por causa de sua militânica político-partidária, conforme rezava o estatuto da casa. O médico cearense havia sido um dos fundadores e um dos primeiros filiados do Partido Democrata Federal. No final do ano, Bezerra candidatou-se a senador por esse partido e perdeu a eleição.

Em 15/08/1896, Bezerra publica o artigo a VERDADEIRA PROPAGANDA, onde diz que aceitou ser diretor do Centro da União na esperança de que a instituição seguisse um caminho correto. Em seguida, critica Torteroli por ter afirmado que Jesus não era seu senhor. Ao final, pede que o movimento espírita se decida entre a FEB e o Centro.

Em 01/09/1896, Bezerra publica o artigo AINDA A PROPAGANDA ESPÍRITA.

Nesse mesmo número do REFORMADOR, o CEUPB publica um comunicado, explicando o sentido da frase de Torteroli, que seria o seguinte: Jesus não é meu senhor, mas um irmão evoluído, que me auxilia a chegar até ele.

Em 15/09/1896, Bezerra publica o artigo CLAMA, NÃO CESSES, onde critica o fato do Centro da União ter colocado uma flâmula na porta do Congresso Espírita Permaente. Diz o ex-deputado: “Os templos não têm placas, nem flâmulas (…). Isto é próprio de festas mundanas, nunca de exercícios religiosos”.

Em 11/10/1896, Vitor Antônio Vieira, espírita “científico” e membro do Centro da União publica uma extensa crítica a Bezerra no JORNAL DO BRASIL (2).

Em 15/10/1896, Bezerra publica o artigo PELO FRUTO SE CONHECE A ÁRVORE, onde critica a tese de que Deus não castiga nem perdoa, defendida numa mensagem ditada pelo espírito Luiza Maia Torteroli, esposa desencarnada de Angeli Torteroli.

O Centro da União publica um comunicado afirmando que não vai discutir com seus críticos.

Em 02/11/1896, Bezerra começa a publicar a série FIAT LUX, que era uma resposta às críticas de Vitor Antônio Vieira.

O Centro da União publica um comunicado informando que levará a discussão sobre a natureza do Espiritismo ao Congresso Espírita Permanente.

Em 15/11/1896, Bezerra começa a publicar a série UMA SIMPLES RÉPLICA, que também era uma resposta às críticas de Vitor Antônio Vieira.

No mesmo número do REFORMADOR, o Centro da União divulga um comunicado, afirmando que adotará a conceituação de Espiritismo que for votada no Congresso Espírita Permanente.

Em 15/12/1896, Bezerra publica o artigo O ESPIRITISMO EM SEU VERDADEIRO CARÁTER, onde diz que o Espiritismo do Centro da União é influenciado pelo Positivismo de Augusto Comte.

Em 01/02/1897, Bezerra publica o artigo MIRABILE DICTU. O presidente febiano discorda da idéia de definir o Espiritismo num congresso. Segundo ele, essa definição já havia sido dada por Kardec e Roustaing.

Em setembro e outubro de 1897, a REVISTA ESPÍRITA DO BRASIL, órgão oficial do Centro da União, publica o artigo PRATICAMOS A CIÊNCIA ESPÍRITA E A MORAL CRISTÃ, defendendo a bandeira “científica” da instituição (3).

Em 01/11/1897, Augusto Elias, Ernesto Silva, João Valente, José Vila Franca e Manoel Maximino divulgam um comunicado, informando que saíram da diretoria do Centro da União (4).

Em 15/11/1897, Bezerra publica o artigo LAMENTÁVEL, onde comenta a saída dos diretores do Centro da União e faz pesada crítica ao comportamento ético de Torteroli.

Em 27/11/1897, os membros do Centro da União publicam uma matéria na GAZETA DE NOTÍCIAS defendendo Torteroli das acusações de Bezerra (5).

Em 15/01/1898, o REFORMADOR começa a publicar OS QUATRO EVANGELHOS de Roustaing em partes.

A campanha de Bezerra não acabou com a corrente dos “científicos”, nem com o Centro da União, mas fortaleceu a FEB, Roustaing e, consequente, a supervalorização do aspecto religioso do Espiritismo.

Em 11/04/1900, Bezerra desencarna e Leopoldo Cirne, que estava na vice-presidência da FEB desde a saída de Dias da Cruz, é eleito presidente da casa.

NOTAS:

(1) Esses artigos nem sempre foram assinados por Bezerra, mas são creditados a ele pela tradição histórica. De qualquer maneira, Bezerra era presidente da FEB e responsável máximo pelas matérias do REFORMADOR. A coleção do periódico febiano está disponível no site da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

(2) Disponível na Hemeroteca Digital.

(3) Disponível na Biblioteca de Obras Raras da FEB.

(4) Disponível na Hemeroteca Digital.

(5) Disponível na Hemeroteca Digital.

OUTRAS FONTES DE PESQUISA:

BEZERRA DE MENEZES, Canuto Abreu, FEESP.

VIDA E OBRA DE BEZERRA DE MENEZES, Sylvio Brito Soares, FEB.

BEZERRA DE MENEZES, O MÉDICO DOS POBRES, Francisco Aquaronte, ALIANÇA

BEZERRA DE MENEZES NA INTIMIDADE, Jorge Damas, NOVO SER.

BEZERRA DE MENEZES – FATOS E DOCUMENTOS, Luciano Klein, LACHÂTRE.

O ATALHO, Luciano dos Anjos, LÂCHATRE.

A POSIÇÃO ZERO, Luciano dos Anjos, jornal OBREIROS DO BEM, ASOB.

GRANDES ESPÍRITAS DO BRASIL, Zeus Wantuil, FEB.

MEMÓRIAS DE BEZERRA DE MENEZES, Eduardo Carvalho Monteiro, MADRAS.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s