O CONGRESSO CONSTITUINTE

Em 1925, Luiz Barreto assumiu a presidência a FEB, substituindo Aristides Spínola.

Nesse ano, houve uma reforma na Constituição Brasileira e o deputado federal Plínio Marques apresentou um projeto para oficializar o estudo do Catolicismo nas escolas.

Para envolver os espíritas cariocas no combate ao projeto, um grupo de militantes espiritistas fez uma peregrinação às casas espíritas da cidade do Rio de Janeiro.

Após a queda projeto de Marques, esses militantes espíritas decidiram aproveitar o congraçamento obtido para realizar um congresso constituinte com a finalidade de  discutir a organização do movimento espiritista nacional, deixando evidente que não reconheciam a liderança da FEB nesse campo.

Em 16/10/1925, a comissão organizadora desse congresso distribuiu uma circular marcando o evento para 31/03/1926. A finalidade do encontro era criar uma organização federativa ativa e produtiva e fundar uma entidade federativa de âmbito nacional.

Pretendendo submeter a FEB ao congresso, a comissão organizadora do evento enviou um convite para a Casa de Ismael, que, evidentemente foi recusado, pois a instituição se via, como até hoje, como a entidade máxima do movimento espírita brasileiro.

Luiz Barreto explicou a recusa numa carta à organização do congresso, publicada no REFORMADOR de 01/12/1925. Ato contínuo, investiu na instalação do Conselho Federativo da FEB, que ainda não havia saído do papel.

Em 29/01/1926, a comissão organizadora do congresso enviou uma carta a FEB, contestando as críticas que os febianos estariam fazendo ao encontro. A FEB refutou os principais trechos dessa carta no REFORMADOR de 16/02/1926.

No relatório das atividades de 1925, publicado no REFORMADOR de 01/02/1926, a FEB reafirma seu propósito de não participar do congresso. Segue parte do texto:

“Qualificam-nos (…) de intolerantes. Mas, onde a nossa intolerância? Digna atitude é a nossa, perseverando nos propósitos (…) que nos animam, na defesa (…) do posto e na execução da tarefa que nos foram confiados e do qual, se nos afastássemos, praticaríamos culposa defecção”.

Sem a presença da FEB, o Congresso Constituinte Espírita se reuniu em 31/03/1926, na cidade do Rio de Janeiro, sob a presidência de Gustavo Farnese. Dentre os presentes, estava o pioneiro Angeli Torteroli, então com 77 anos.

Na sessão de 04/04/1926, os congressistas decidiram voltar a convidar a FEB a participar do evento. O presidente febiano Luiz Barreto enviou uma nova carta ao congresso no dia 07/04/1926. Em dado momento, diz a missíva:

“… apelamos para vosso lúcido critério e perguntamos: o que iria fazer um representante na Federação no seio da Constituinte Espírita? Ouvir doestos e baldões, ironias e sarcasmos? Assistir de alma constrangida à discórdia em nome da concórdia?”

Com essa carta, os congressistas desistiram definitivamente de ter a FEB no evento. Não era impossível que ela saísse revalorizada do encontro, mas a Casa de Ismael não quis dobrar a cerviz.

 

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