A LIGA ESPÍRITA DO BRASIL

O Congresso Constituinte Espírita Brasileiro teve início em 31/03/1926 e durou dez dias.

Abaixo, seguem as principais decisões do evento (1):

– Criação da Constituição Espírita do Brasil, conjunto de normas para regular a organização do movimento espírita brasileiro.

– Criação da Assembléia Espírita do Brasil, órgão colegiado máximo dos espíritas brasileiros.

– Criação da Liga Espírita do Brasil, entidade federativa e executiva de âmbito nacional, que congregaria ligas estaduais, que, por sua vez, congregariam ligas municipais.

Em resposta às decisões do Congresso Constituinte, a FEB publicou um longo editorial no REFORMADOR de 01/06/1926, intitulado CONTINUAÇÃO DE PROGRAMA, DE ORIENTAÇÃO, DE DIRETRIZ, onde fazia a exaltação de si mesma como entidade máxima do movimento espírita brasileiro.

Nesse editorial, é transcrita uma mensagem de Aristídes Spínola, que havia desencarnado no ano anterior, transmitida por via psicofônica do Grupo Ismael.

Em dado momento, diz o ex-presidente febiano:

“Companheiros e amigos, recrudesce a luta. As hostes aguerridas tomam posição de combate, vê-se-lhes (…) o estandarte rubro e nele está escrito em letras de fogo GUERRA DE  MORTE ATÉ O EXTERMÍNIO. Porém, a luta principal é contra o Evangelho de Jesus, que há, fatalmente, de mudar as coisas na face do planeta. Cuidado! Cuidado! O lobo pretende avizinhar-se do redil”.

A mensagem de Spínola é um doloroso caso de sectarismo, belicismo e histeria. A acusação de que o Evangelho de Jesus corria perigo com a fundação da Liga não fazia o menor sentido, pois o programa doutrinário da nova instituição defendia o aspecto religioso do Espiritismo (2) e exaltava a figura de Jesus de Nazaré (3).

Durante sua existência, a Liga prestou excelente serviço à causa do Espritismo no Brasil, incentivando, particularmente, o avanço da cultura espírita.

Segue a relação dos presidentes da Liga: Gustavo Farnese, João Torres, Henrique Andrade, Leôncio Correia, José Ludolf e Aurino Souto.

Aurino Souto ocupou a presidência da Liga por três mandatos consecutivos e foi o último presidente da casa.

Dentre outros espíritas valorosos, Deolindo Amorim, Francisco Klörs Werneck, João Pinto de Souza, Luciano Costa, Geraldo de Aquino e Mariano Rango D’Aragona também fizeram parte da instituição.

Apesar de seus excelentes trabalhadores e projetos avançados, a Liga Espírita do Brasil nunca conseguiu a capilaridade e força almejada pelo Congresso Constituinte Espírita.

NOTAS:

(1) REVISTA ESPÍRITA DO BRASIL, janeiro de 1929, p. 4

(2) REVISTA ESPÍRITA DO BRASIL, janeiro de 1929, p. 4

(3) REVISTA ESPÍRITA DO BRASIL, junho de 1929, p. 150

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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